DOIS BRAÇOS ESQUERDOS
 

 
Dois braços esquerdos e curtos.
 
 
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Terça-feira, Janeiro 30, 2007
 
Mudei de endereço. Por favor, visitem o www.doisesquerdos.wordpress.com

Terça-feira, Janeiro 23, 2007
 


Estava especialmente frio (menos dois e meio) e o Ricardo e os amigos foram tirar fotos para o flyer da festa de dois anos da Berlin Hilton. Eles entraram com bolos nessas cabines em que se entra com umas moedas e sai com retratos tres por quatro. O piso ficou imundo com massa de chocolate e creme e chantilli.

Bem do lado tinha um trailler que vendia falafels e kebabs e doners e outras especiarias de gente do Oriente que é Próximo (e por algumas horas, ainda posso dizer que é mais próximo daqui do que daí).

A parte legal: o turco dono da barraca tinha sobrancelhas grossas, bigode e os outros aparatos dos seus conterraneos, mas também era fanático por Johnny Cash. O trailler era cheio de fotos do cantor. O som tocava bem, alto, country e dark. O cara ainda fazia pose de sofredor como o cantor. Achei o Johnny Cash árabe sensacional.

Domingo, Janeiro 21, 2007
 

Domingo, Janeiro 14, 2007
 
all my insides fall to pieces, I just sit here wishing I could still make love.

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
 
Vi um caderninho de notas bonitinho em Praga. Estava disposto a leva-lo, porque as paginas do meu estao acabando. O anúncio ainda dizia que era o mesmo caderno que o Hemingway escrevia. Bacana. Daí vi o preco. Ridiculo. Nem gostei tanto assim de For Whom the Bell Tolls.

Veja, mais tarde, quando eu chegar no Brasil, vou transcrever o que tem nesse caderninho para cá. Pelo menos, agora é essa a minha intencao. Beijos.

Segunda-feira, Janeiro 01, 2007
 
Agore de um teclado um pouco mais familiar. Um hungaro. Como se ve, ainda faltam os acentos. Aqui esta muito gelado. Esta tudo fechado por causa do feriado do primeiro de janeiro. Depois escrevo mais.

Quarta-feira, Dezembro 27, 2006
 
Caros inexistentes leitores: estou de férias. Em Berlim. Esse teclado está me massacrando. Já viu Asas do Desejo? Tem uma cena em que um velhinho vai procurar uma praca que ele conhecia - a Potsdamer Platz. Nao encontra. Só ve um terreno baldio sujo, feio. Se ele voltasse ao local hoje, passaria por prédios de vidro, ruas ainda em construcao, restaurantes caros, cinemas patrocinados e vias expressas. É a forca da grana que ergue e destroi coisas belas.

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006
 
Proust não é um loser
Vi o filme Pequena Miss Sunshine. É bem bacana. E tem trilha sonora do Sufjan Stevens*.

Um dos personagens é o maior especialista em Proust nos EUA. Ele diz num momento que o francês era um "total loser". Mentira. O Proust era de família burguesa e a vida inteira dele tentou se inserir na aristocracia parisiense do fim do século XIX. Conseguiu.

Ele teve amores frustrados, mas só isso não caracteriza um loser. Ele também passou anos doente, de cama. Mas isso significa que ele era doente, e não perdedor.

O Proust fazia sucesso nas festas de nobres e também de arrivistas. Conheceu gente interessantíssima e participava de discussões acadêmicas igualmente instigantes. E, como diz o personagem do Pequena Miss Sunshine, é provavelmente o maior escritor desde Shakespeare. Isso eu realmente não sei julgar. Mas Em Busca do Tempo Perdido é uma obra prima, isso posso dizer.

*Ouvi muito Sufjan Stevens nesse ano. Talvez tenha sido, junto com a Juana Molina, uma das descobertas musicais que fiz que mais me renderam prazer entre o segundo semestre do ano passado e o primeiro deste que vem se encerrando.
 
Sudhir versus De Soto

Se você leu Freakonomics deve se lembrar do capítulo chamado Por que os traficantes moram com suas mães. Nele, autor do best seller relata o estudo de um economista chamado Sudhir (só vou escrever o primeiro nome, que já é suficientemente complicado). Ele fez um estudo muito profundo sobre a economia informal e o tráfico de drogas em cantos pobres de Chicago.

Agora o Sudhir lançou um livro. O nome é Off the Books: the Underground Economy of the Urban Poor. Li essa material na Slate a respeito.

É difícil saber ao certo o que pensa o autor sem ler o livro. Mas a Slate dá algumas dicas. Uma delas: o Sudhir concluiu que quem vive em locais miseráveis não tem como escapar de negócios marginais. Ele dá exemplos de padres e líderes locais que negociam com traficantes e ladrões. É um pacto hobbesiano entre os que estão dentro da lei e os que não estão.

Dá para fazer um contraponto disso com o que diz o Hernando de Soto. Esse último é um economista de origem venezuelana e que prega o seguinte: se a economia informal for formalizada haverá um ganho em prosperidade muito significante.

O Sudhir diz que mesmo os formalizados são obrigados a incorrer em métodos pouco ortodoxos para sobreviver.
 
Ultraliberalismo de Pinochet ia até a página dois

O general Pinochet podia ter sofrido mais humilhações antes de morrer. A vida seria mais justa. Mas não vamos reclamar, um desgraçado morreu e isso é sempre bom.

Não li muito sobre a vida dele agora porque não estou com muita paciência. Mas topei com uma matéria do Clóvis Rossi que beira o elogio. É sobre a economia chilena durante os tempos do ditador.

Diz o articulista da Folha:

"O Chile de Pinochet foi o pioneiro na adoção de medidas que, mais tarde, constituiriam o "Consenso de Washington", o modelo neoliberal ou o pensamento único, como se queira chamá-lo.

Desmontou o Estado, retirando-o das atividades econômicas, mas não do cobre, a principal riqueza chilena (o que só mostra que liberais podem ser ultraliberais na economia mas não queimam dinheiro)."

Ora, o cobre é a principal riqueza chilena. Se o cara não tirou o Estado da principal riqueza ele não é liberal coisa nenhuma. É intervencionista. Liberais mesmo acham que empresas estatais devem ser privatizadas e ponto. Se não concorda com isso simplesmente não é liberal.

Sábado, Dezembro 09, 2006
 
BK
O Bernard Kucinski foi meu professor na USP. Ele parou de dar aula lá para integrar a equipe do governo Lula, onde era analista da mídia. Sujeito ácido, dispara suas ironias contra todos, mas principalmente contra os barões da mídia. Sei que é detestado na Folha. Corajoso, não tem receio de usar sua mordacidade contra colegas. Recentemente, se envolveu em polêmica com o Eugênio Bucci.

Recentemente, ele deu uma entrevista para um repórter da Folha. Vou copiar um trecho aqui:

Folha - Em seu artigo 'A babel é aqui' o sr. afirma que a esquerda, petistas em especial, não são compreendidos em suas declarações porque haveria uma 'desordem lingüística' em curso no país, que teria alienado a grande imprensa, tirado de seus profissionais a capacidade de exercer criticamente sua profissão. O que o leva a crer que não seriam a esquerda e o PT os afetados por tal desordem lingüística?

Kucinski - Não entendi bem a sua pergunta. Deve ser o efeito dessa desordem lingüística.De qualquer forma, penso que tem havido um rebaixamento geral do nível das discussões e falta de vontade de dialogar. Isso afeta todos.


Sensacional! Ele destruiu o entrevistador.

Folha - No mesmo artigo, o sr. fala que a quase totalidade dos colunistas brasileiros 'descolou-se dos ideais do povo' ao assumir uma postura crítica à reeleição de Lula. O sr. crê que um jornalista deve abandonar o criticismo em favor de uma vontade expressa em urnas? Essa uniformidade não mimetizaria o ideário dos totalitarismos que o sr. rejeita como rótulo ao PT?

Kucinski - Os colunistas não "assumiram uma postura critica". Eles se engajaram ativamente na campanha contra Lula. Isso é um fato. Lula foi eleito por ampla maioria. É outro fato. E os dois fatos apontam para um descolamento dos colunistas em relação ao sentimento da maioria da população. Apenas isso. Na minha o jornalista nunca deve abandonar o espírito crítico.
 
De vez em quando acordo com uns gritos da rua. Alguém fica berrando AL QAEDA. Como se a rede do Bin Laden fosse recrutar gente na Santa Cecília. Mas é só o vendedor de gás dizendo "Ó O GÁS".

Sexta-feira, Dezembro 08, 2006
 
Tribo do Roque Duro
A notícia do dia é que o Hard Rock Café foi comprado por uma tribo de índios. Achei sensacional. É uma subversão completa.

Não é novidade que os índios americanos gostam bastante de grana e de neon. Quem conhece um pouquinho o país já viu os cassinos nas suas reservas. No estado onde morei, Washington, só se jogava em terras indígenas.

A cidade na qual vivi, aliás, leva o nome de um índio - Seattle. O dito era um chefe de uma tribo local. Quando propuseram a ele que batizassem a cidade que nascia com o seu nome, ele disse que não podia, pois isso o impediria de viver a vida metafísica depois de morto. Mas ele aquiesceu depois de receber dólares do governo.

Nada contra a integração dos índios com o mundo contemporâneo. Mas podia ser menos cafona.

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006
 
Cortem!

Cortar despesas é a expressão do momento nas páginas de economia dos jornais. E, claro, como sempre, há vozes dissonantes. Vou reproduzir uma discordância:

(Trecho de "Economistas pedem corte nos gastos públicos por PIB maior", da Folha de hoje)
O economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Fabio Giambiagi defendeu que não dá para pensar em corte de gastos sem passar pelos programas sociais. "Há que controlar o gasto social, que representa uma parcela significativa das despesas públicas", afirmou em evento promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

(Trecho de "Alencar defende ampliação do Conselho Monetário Nacional", tabém da Folha de hoje)
Alencar também defendeu cortes em gastos do Palácio do Planalto com viagens. "Um dos gastos que podem ser cortados é o aparato que me acompanha", disse, citando equipe de dez pessoas que o acompanhou na viagem a NY para uma cirurgia.

Eta vice-presidente porreta de bacana.

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006
 
O brasileiro é um cupido às avessas. Quando vê a própria imagem, cospe nela. Essa constatação não é minha, é do Nelson Rodrigues. Mas concordo com ela. Só quero adicionar um bocadinho (desculpem a pretensão).

Sabe esse caso do filme Tourists, no qual uns gringos decidem passar férias neste paraíso tropical abençoado e acabam num filme de terror?

Acho que ele é crível. Ou você nunca ouviu falar de histórias de gente que acordou numa banheira sem o fígado, depois de ter tomado um boa noite, cinderela? Eu já escutei essa lenda muitas vezes.

Lembra daquele episódio dos Simpsons em que eles vinham para o Rio e tudo dava errado? Então, dentro da lógica do programa, fazia sentido. O FHC chegou a protestar por causa do "absurdo". Absurdo é se preocupar com isso.

Por que não ficamos igualmente irritados com o Casseta e Planeta? E por que ficamos tão indignados com esses retratos que os gringos fazem? Não sei.

Mas duas figuras me aparecem. Uma é a do garoto que zoa todo mundo na escola, mas não aceita que o zoem. A outra é a das minorias. Como os negros americanos, que se chamam de nigger, mas não aceitam que os brancos o façam. Ou como os gays que, entre eles, podem dizer "bicha", mas não toleram que heterossexuais o façam.

E nem vem com essa bobagem de que o filme pode espantar turistas. O que realmente os faz manter distância daqui são os crimes contra eles - outro dia morreu um português que não quis dar a câmera fotográfica para o bandido.

 

 
   
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